
A presença feminina no transporte rodoviário de cargas ainda é pequena no Brasil, mas começa a crescer com o apoio de iniciativas de formação profissional Em 2021, após analisar sua própria base colaborativa, a JSL percebeu que apenas 4% dos funcionários eram mulheres, sendo 1,5% motoristas. Isso despertou a intenção e a empresa desenvolveu o Mulheres na Direção, programa que não se restringe à direção no volante, mas sim a “Direção da Vida”, como explica Bianca Furlan, gerente de desenvolvimento humano e organizacional da JSL.
“Como a maior empresa de transporte e logística do Brasil, entendemos que deveríamos assumir o protagonismo nesse tema e incentivar a presença de mulheres no volante. Também analisamos um dado nacional: apenas cerca de 6% das CNHs no Brasil pertencem a mulheres.”
Além de vagas na logística interna e como motoristas, a JSL realizou uma edição temática para manutenção com mais de 700 inscrições, mostrando o interesse feminino em diversas áreas.
De 2021 para cá, ocorreram 17 edições com cerca de 300 mulheres contratadas e mais de 3 mil horas de capacitação. Para além disso, recentemente a empresa fez uma mudança importante. Em algumas edições passaram a formar mais mulheres do que o número de vagas internas disponíveis. Assim, o que era um programa interno, acabou causando impacto no setor todo, já que prepara profissionais que vão atuar em outras empresas.

Quem são elas?
O programa não tem limite de idade. O único requisito é que a candidata tenha o sonho de trabalhar em operações de transporte e logística e queira construir uma carreira nesse setor. Bianca explica que o perfil é bastante diverso., com participantes com idades entre 20 e 61 anos.

Bianca Furlan, gerente de Desenvolvimento Humano e Organizacional da JSL
“Temos mulheres mais velhas, mulheres que nunca trabalharam antes, mulheres que viviam em situações de vulnerabilidade social e também profissionais que já tinham outras carreiras e decidiram mudar de área. Há também casos de mulheres que estavam fora do mercado de trabalho há muitos anos e viram no programa uma oportunidade de recomeçar. Temos participantes com mais de 50 anos que tiraram a CNH durante o programa.”
A formação inclui treinamento teórico, técnico e comportamental. Depois disso, elas passam por um estágio acompanhado por padrinhos — profissionais experientes que apoiam o processo de aprendizado. Ao final acontece uma formatura, com certificado e celebração.
Além disso, Bianca cita que a questão do viés inconsciente. “Não treinamos apenas as mulheres. Também preparamos as equipes que irão recebê-las, para garantir um ambiente mais preparado e inclusivo.”
Resposta à escassez de motoristas
A falta de profissionais no transporte e logística é um desafio global e que é acentuado quando falamos da função de motorista. Também por isso. a inclusão de mulheres no mercado é fundamental. “Quando damos oportunidade para mulheres no transporte rodoviário e logística, basicamente dobramos o potencial de contratação. As inscrições que recebemos mostram claramente que existe interesse.”
Tudo isso impulsiona novas CNHs, fortalece a carreira de motorista e incentiva gestores e empresas a perceberem que a contratação de mulheres é totalmente possível. Isso amplia as oportunidades no setor como um todo. Até o momento, só o Mulheres na Direção já formou mais de 200 motoristas femininas.
Além do programa voltado ao público feminino, a empresa também mantém uma escola de motoristas com turmas mistas. Nesse caso, homens e mulheres recebem formação completa para atuar como motoristas carreteiros, incluindo a obtenção da carteira de habilitação profissional.

Cada edição do programa bate recorde de inscrições
O dobro de mão-de-obra
Em cinco anos de programa, não houve nenhum acidente fatal, grave ou gravíssimo envolvendo mulheres formadas pelo Mulheres na Direção. Esse dado pode não ter correlação direta com o perfil, mas com certeza tem com o desenvolvimento e preparo.
“Nós sempre deixamos claro que o programa não foi criado para competir com ninguém. Mas os números acabam mostrando esse resultado. Antes de assumir a função, essas profissionais passam por uma formação extensa, com treinamento técnico, comportamental e estágio supervisionado. Esse processo faz muita diferença.”
Unindo dois problemas do setor (falta de mão-de-obra e inclusão feminina), o Mulheres na Direção encontrou uma boa rota para melhorar o segmento através da educação, formação e inclusão social.
