Mercados de caminhões e ônibus iniciam reação fevereiro
10/03/2026 - Economia
Emplacamentos de caminhões e ônibus caem 29,4% no bimestre, mas fevereiro sobe 4,5% ante janeiro impulsionado pelo Move Brasil

Igor Calvet, presidente da Anfavea

O mercado brasileiro de veículos pesados enfrenta um início de ano desafiador, com vendas acumuladas em queda de 29,4% no primeiro bimestre frente ao mesmo período de 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Anfavea. Foram emplacadas 13,1 mil caminhões e 2,5 mil ônibus nos dois primeiros meses do ano, contra 18,4 mil e 3,7 mil, respectivamente, no ano passado.

Os números negativos, no entanto, não contam toda a história. Fevereiro trouxe alívio ao segmento, com alta de 4,5% nas vendas de caminhões e ônibus ante janeiro, um movimento que a associação atribui aos primeiros reflexos do programa Move Brasil, linha de financiamento do BNDES voltada à renovação de frota. Mais de R$ 4 bilhões já foram liberados pelo banco de fomento para troca de modelos antigos por seminovos ou zero-quilômetro, com taxas reduzidas que começam a aquecer a demanda, especialmente no setor de caminhões.

Outros mercados

O desempenho contrasta com o aquecimento visto no mercado de automóveis e comerciais leves, que registrou alta de 18% nos emplacamentos do bimestre. No total, incluindo todos os segmentos, foram emplacadas 355,7 mil unidades no período, praticamente estável ante 2025. Fevereiro, especificamente, anotou média diária de 10,3 mil unidades – a segunda melhor para o mês na última década, atrás apenas de 2014.

Apesar da resiliência da demanda interna, a indústria opera em ritmo mais lento. A produção acumulada no primeiro bimestre somou 368 mil autoveículos, queda de 8,9% ante igual período de 2025. O principal vilão foram as exportações, que despencaram 28%, para 59,4 mil unidades. “Causa preocupação a retração expressiva nas vendas para a Argentina, mercado que nos ajudou muito nos resultados positivos de 2025“, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea, lembrando que o Carnaval em março no ano passado também contribui para uma base de comparação mais alta.

No front tecnológico, os eletrificados seguem ganhando espaço. Em fevereiro, 28,1 mil unidades de veículos leves híbridos e elétricos foram emplacadas, o equivalente a 15,9% do total. A participação da produção nacional nesse volume atingiu 43%, o maior patamar da série histórica da Anfavea, revelando que os investimentos recentes das montadoras em novas plataformas começam a se materializar em produtos fabricados no país.

Calvet ponderou, porém, que o cenário macroeconômico global adiciona incertezas. “A guerra no Oriente Médio pode ter impactos nos custos logísticos e no preço do petróleo, mas acreditamos na resiliência da cadeia automotiva brasileira“, concluiu.