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« voltar Indústria || Publicado em: segunda-feira, 2 de abril de 2018
Randon inaugura fábrica em Araraquara
Unidade recebeu investimento de R$ 100 milhões para produzir implementos e vagões ferroviários

SUELI REIS, AB ǀ De Araraquara (SP)

Após seis anos desde o anúncio do investimento de R$ 100 milhões para a construção de uma nova fábrica, em 2012, a Randon realizou na quarta-feira, 28, a inauguração de sua mais nova unidade produtiva, localizada em Araraquara, no interior de São Paulo, para a produção de vagões ferroviários e semirreboques dedicados ao setor canavieiro. Com 25 mil metros quadrados de área construída em um terreno de 122 hectares, a planta começou a ser erguida em outubro de 2014 e pouco mais de três anos depois a linha iniciou sua operação no último 8 de janeiro. Com capacidade para 2 mil unidades por ano, a nova planta opera com 100 empregados e já monta seis unidades por dia: as primeiras 100 unidades serão completadas ainda neste mês.
 

"Foram vinte locais pesquisados e pouco mais de um ano para escolher a localização até optarmos por Araraquara, que oferece infraestrutura e mão de obra adequadas, além de uma localização estratégica por ser um dos polos ferroviários do País. E foram setenta pessoas envolvidas com o projeto, que hoje se torna um exemplo de melhores processos que devemos expandir para as nossas outras fábricas”, disse o presidente do grupo, David Randon.


 

O COO da divisão montadora das Empresas Randon, Alexandre Gazzi, lembra que quando o projeto da nova fábrica foi anunciado, em dezembro de 2012, o mercado de caminhões estava em sua era de ouro: no ano anterior, em 2011, a produção superou as 215 mil unidades, elevando o patamar dos emplacamentos de implementos rodoviários, que naquela época ficou em 175 mil unidades. Naquele cenário, a Randon havia previsto um aporte na ordem de R$ 500 milhões para Araraquara, parte de um ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões para o período de 2012 a 2016. Em outubro de 2014, a empresa iniciou a obra, quando o investimento já havia sido reajustado para os atuais R$ 100 milhões, dos quais 60% estão sendo financiados pelo BNDES.

"São seis anos desde que esse projeto nasceu; veio a crise e com ela decidimos parar Araraquara, em 2016. Foram dezoito meses de paralisação e em março de 2017 retomamos o projeto. E agora, um ano depois, estamos inaugurando”, lembra Gazzi.

Com a nova planta paulista, a Randon desafoga a produção de seu complexo industrial de Caxias do Sul (RS), que segundo David, está "estrangulada”, trabalhando no limite de sua capacidade de absorver produtos em linha. Com Araraquara, a matriz caxiense deixará de montar vagões ferroviários, liberando espaço e reduzindo os distúrbios na produção. "Caxias é uma fábrica flexível, montamos ali doze famílias de produtos, mas produtividade não era nosso forte”, comenta Gazzi.

"Poderemos implementar novos processos em Caxias e dedicar sua produção até a outros mercados que não tivemos oportunidade de olhar durante a crise”, reforça David.

O presidente revela que esta é apenas a primeira fase da nova planta e que a empresa tem intenção de ampliar suas operações ali, embora ainda não esteja nada muito definido. "Fizemos uma nova fábrica que deve passar por uma segunda, terceira fase de investimento, mas tudo dependerá do País e da economia. Não tenho dúvidas de que o Brasil vai crescer em termos econômicos e de mercado, mas estamos pensando para frente, nos próximos 30 anos, e deve haver sim possibilidades de mais sites [linhas de produção], a área comporta, como em Caxias, mas por enquanto, estamos só na primeira fase.”

NOVA FASE

Com a nova fábrica, a empresa já está reorganizando e reestruturando a vocação de cada uma de outras quatro plantas da divisão, incluindo Caxias do Sul, Chapecó (SC) e as internacionais, na província de Santa Fé, Argentina, e em Callao, região metropolitana de Lima, no Peru, esta inaugurada no dia 15 deste mês. Com isso, Araraquara será a nova responsável pela produção de vagões ferroviários, cujo mercado a Randon entrou em 2003. Também será dedicada à produção de semirreboques para atender o setor canavieiro. No segundo semestre deste ano também está prevista a transferência para a nova planta paulista a produção de furgões de carga geral e sider, que estavam sendo feitos em Caxias do Sul após terem suas linhas de produção encerradas na planta de Guarulhos (SP), desativada no ano passado.

"Esta nova fábrica também vai nos trazer uma economia grande de frete, que hoje está entre R$ 12 mil e R$ 15 mil em produtos transportados de Caxias para São Paulo”, acrescenta o novo presidente do conselho de administração do grupo, Alexandre Randon, que assumiu o novo cargo recentemente.

A Randon divide o mercado brasileiro de vagões ferroviários com a Maxion, com fatia de 50% para cada. Segundo Gazzi, em seu melhor ano, a produção nacional chegou a um volume de 7 mil unidades, mas vem oscilando entre alta e baixa demanda. "Chegou a ser 7 mil, caiu para 3 mil, depois subiu para 5 mil, voltou a cair para 3,5 mil. É um 'eletrocardiograma’. E este é um dos anos em que está em baixa e não deve fechar com mais de 2 mil unidades, o que é um alento, porque pelo ciclo dos últimos anos, indica que no ano que vem por de ir a 4 mil ou 5 mil”, projeta.

Sua projeção também vislumbra que neste compasso, quando a unidade alcançar sua plena capacidade de 2 mil unidades/ano, o segmento de vagões representará de 10% a 20% das receitas do grupo.

Para o mercado de implementos, Daniel Randon, vice-presidente de administração e finanças, discorre sobre o cenário mais favorável para investir, com juros em baixa, estimativa de crescimento do PIB em 3%, além dos bons ventos do agronegócio, com a expectativa da safra de grãos. "Já se fala em crescimento do PIB tanto para 2018 quanto para 2019. Só neste ano, nosso guidance prevê um investimento total de R$ 140 milhões”, afirma. A cifra não considera possíveis novas aquisições e a maior parte será aplicada no aumento da produtividade das fábricas. A empresa trabalha com uma expectativa de que o mercado de caminhões possa atingir as 100 mil unidades este ano. "Há uma expectativa positiva; voltamos ao lucro após dois anos de prejuízo e já estamos com problemas de prazo para entregas, com o mercado demandando.”

Ao comentar sobre o que a empresa espera do próximo governo, David preferiu se esquivar, mas deixou seu recado: "Esperamos um governo mais estável, que faça o que precisa ser feito na área de ajustes fiscais e impostos, porque há uma briga entre estados e municípios, parece que está em outro país quando vai de um estado para o outro. Nosso desejo é de que o governo pense mais no País, nos empresários para que possamos gerar mais empregos.” 

Fonte: ABI de Araraquara - SP
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